O segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro não exige que o eleitor transforme nenhum dos dois em seu representante ideal. Para quem acredita em um Estado capaz de induzir o desenvolvimento, investir em infraestrutura, ciência e indústria e estabelecer limites na relação desigual entre capital e trabalho, a pergunta pode ser mais simples e, ao mesmo tempo, mais profunda: entre os dois projetos que efetivamente chegaram à urna, qual deles está mais próximo do país que se deseja construir?
Não sou lulista. Também não sou petista. Essa talvez seja a primeira informação necessária antes de qualquer reflexão sobre o segundo turno presidencial de 2026, porque a polarização política brasileira produziu uma lógica estranha segundo a qual escolher um candidato parece exigir adesão integral à sua trajetória, ao seu partido, aos seus governos e até à personalidade de seus principais apoiadores. Não deveria ser assim. Posso reconhecer avanços dos governos Lula e, ao mesmo tempo, discordar profundamente de decisões tomadas por eles; posso considerar insuficiente a política de desenvolvimento industrial, questionar a relação do governo com o mercado financeiro, desejar investimentos públicos muito maiores em infraestrutura, ciência e tecnologia e criticar alianças políticas construídas pelo PT. Nada disso desaparece porque o país chegou a um segundo turno entre duas alternativas concretas. A democracia não nos oferece sempre o candidato que desenharíamos em uma folha em branco. Muitas vezes, ela nos obriga a comparar projetos imperfeitos e decidir qual deles se aproxima mais daquilo que consideramos desejável.
É justamente por não enxergar Lula como líder infalível que considero mais interessante olhar para esta eleição dessa maneira. Não quero discutir quem é mais carismático, quem possui militância mais barulhenta ou quem desperta maior identificação emocional. Quero perguntar que concepção de Estado aparece nos programas apresentados, qual papel cada candidatura atribui ao investimento público, como enxergam o desenvolvimento econômico e, sobretudo, qual relação pretendem construir entre trabalhadores, empresas e poder público. Sob esses critérios, vejo diferenças que me parecem mais importantes do que a disputa pessoal entre Lula e Flávio Bolsonaro. O Tribunal Superior Eleitoral disponibiliza os programas apresentados pelas duas candidaturas e permite comparar temas específicos; quando observamos trabalho, indústria, infraestrutura e organização do Estado, não encontramos dois projetos idênticos separados apenas por retórica eleitoral. Encontramos concepções distintas sobre como o país deve funcionar.
Segundo turno não é casamento ideológico
Existe uma cobrança curiosa sobre o eleitor que decide votar criticamente. Se alguém declara apoio a Lula, rapidamente surge a pergunta sobre corrupção, erros dos governos petistas, alianças com o Centrão ou qualquer outra contradição histórica do partido; se escolhe Flávio Bolsonaro, passa a carregar também discussões relacionadas ao governo de seu pai, ao bolsonarismo e às posições de seu campo político. É compreensível que históricos políticos sejam considerados, mas eleição não deveria funcionar como casamento ideológico. Apertar um número na urna não exige assinar um documento afirmando que se concorda com tudo aquilo que determinado candidato fez ou fará. Em um segundo turno, a decisão pode ser muito mais pragmática: existem dois projetos disponíveis, nenhum deles representa integralmente aquilo que penso e, ainda assim, preciso avaliar qual deles se aproxima mais das prioridades que considero fundamentais.
Isso também significa abandonar a ideia de que votar criticamente seria algum tipo de incoerência. Pelo contrário. Talvez uma democracia mais madura dependa exatamente da possibilidade de votar em alguém no domingo e cobrar essa mesma pessoa na segunda-feira. O eleitor não precisa transformar político em líder espiritual, pai da nação ou representante definitivo de sua identidade. Posso votar em Lula e continuar defendendo uma política econômica diferente em alguns pontos, investimentos públicos maiores, outra política monetária ou uma atuação mais ambiciosa do Estado no desenvolvimento tecnológico brasileiro. Posso apoiar determinada proposta do governo e rejeitar outra. O voto crítico preserva justamente aquilo que a militância excessivamente personalista frequentemente destrói: a autonomia do eleitor.
É nesse sentido que minha preferência neste segundo turno não nasce de uma identificação pessoal com Lula. Ela nasce de uma pergunta sobre modelo de país.
O Estado deve apenas organizar o mercado ou também construir desenvolvimento?
Uma das diferenças que considero centrais aparece na maneira como cada programa enxerga a atuação estatal na economia. O programa de Lula registrado no TSE reúne propostas ligadas ao Novo PAC, à Nova Indústria Brasil, ao financiamento de micro, pequenas e médias empresas, ao uso do poder de compra do Estado, à ciência, tecnologia e inovação e à continuidade de uma estratégia de neoindustrialização. O documento também conecta desenvolvimento industrial à transição energética, à infraestrutura logística e ao fortalecimento de cadeias produtivas nacionais. Isso não significa que seu programa seja estatizante ou contrário à iniciativa privada; a proposta pressupõe participação empresarial e instrumentos de mercado. A diferença está na concepção de que o Estado possui capacidade e responsabilidade para coordenar investimentos, financiar setores estratégicos e induzir transformações produtivas.
Esse modelo está mais próximo da maneira como entendo o desenvolvimento econômico. Países não se tornam tecnologicamente avançados apenas aguardando que decisões privadas espontâneas produzam semicondutores, infraestrutura ferroviária, redes de transmissão, pesquisa farmacêutica ou novas cadeias industriais. Existe espaço indispensável para empresas e para o mercado, mas existe também um papel para planejamento público, financiamento de longo prazo, universidades, bancos de desenvolvimento e políticas industriais. Isso não significa defender um Estado que produza cada parafuso utilizado na economia, e tampouco ignorar ineficiências, desperdícios ou problemas fiscais. Significa reconhecer que desenvolvimento é também resultado de escolhas estratégicas e que determinados investimentos produzem retornos sociais que dificilmente serão considerados integralmente por agentes privados preocupados, de maneira legítima, com retorno econômico.
Talvez a divergência mais concreta esteja no mundo do trabalho
Se a discussão sobre desenvolvimento pode parecer abstrata, a diferença entre os dois projetos torna-se muito mais tangível quando chegamos à jornada e às relações trabalhistas. O programa de Lula registrado no TSE inclui explicitamente o fim da escala 6×1, redução da jornada semanal para 40 horas e valorização do salário mínimo. A proposta defendida atualmente prevê redução da jornada sem diminuição salarial e dois dias de descanso semanal; a agenda é apresentada como continuidade de uma trajetória histórica de diminuição do tempo de trabalho e redistribuição dos ganhos de produtividade.
O programa de Flávio segue outra lógica. O documento também promete preservar direitos e afirma que a redução do custo do trabalho ocorreria “sem retirar direitos”, algo que precisa ser registrado com clareza. Ao mesmo tempo, defende maior flexibilidade de jornada e a prevalência do “negociado sobre o legislado”, propondo que trabalhador e empresa tenham maior possibilidade de combinar diretamente as condições de trabalho dentro dos limites legais. O próprio índice temático disponibilizado pelo TSE identifica como eixos de seu plano a redução do custo do trabalho, o negociado sobre o legislado e uma posição crítica à atual estrutura sindical.
É justamente nessa concepção que minha divergência se torna maior. Em teoria, falar que empregado e empregador deveriam possuir liberdade para negociar suas condições parece razoável: são dois adultos celebrando um contrato. O problema é que contratos não acontecem em um vácuo social. Uma grande empresa capaz de entrevistar vinte pessoas para determinada vaga e um trabalhador desempregado há meses, com aluguel vencendo, comida para comprar e uma família dependendo de sua renda, possuem formalmente o mesmo direito de aceitar ou recusar uma proposta, mas não possuem a mesma capacidade material de dizer “não”. A liberdade jurídica pode ser igual enquanto o poder de barganha é profundamente desigual.
Essa diferença ajuda a explicar por que direitos trabalhistas surgiram historicamente como pisos legais. Jornada máxima, salário mínimo, descanso semanal, férias e adicional de horas extras não foram criados porque toda negociação entre empresa e empregado é exploração, tampouco porque empresários sejam necessariamente inimigos dos trabalhadores. Foram construídos porque a sociedade reconheceu que determinadas condições não deveriam depender exclusivamente da capacidade individual de negociação de quem precisa vender sua força de trabalho para viver. A lei não elimina a negociação; estabelece o chão a partir do qual ela começa.
É nesse ponto que vejo um risco maior no modelo de flexibilização. Não afirmo que Flávio Bolsonaro tenha anunciado o fim do 13º salário, do FGTS ou das férias, porque isso não corresponde ao que seu programa diz. A própria campanha declara que pretende preservar direitos. Mas é legítimo perguntar o que acontece com o equilíbrio de poder quando cada vez mais elementos das relações trabalhistas deixam de ser definidos por normas gerais e passam para a negociação entre partes que frequentemente chegam à mesa em condições econômicas muito diferentes. Para mim, a proteção trabalhista não deveria ser vista como obstáculo inevitável ao desenvolvimento, mas como mecanismo civilizatório para garantir que crescimento e produtividade não sejam obtidos simplesmente transferindo riscos para o lado mais fraco da relação.
A fala sobre mudar a Constituição aumenta a importância dessa discussão
Essa preocupação ganhou outra dimensão depois de Flávio Bolsonaro afirmar, em 6 de outubro, que a composição mais à direita do Congresso permitiria promover mudanças na Constituição e “redemocratizar” o país. No dia seguinte, ele detalhou que se referia a propostas como redução da maioridade penal, reforma do Judiciário, reforma política, alterações tributárias e fim da reeleição presidencial. Portanto, não seria correto afirmar que aquela declaração constituiu anúncio de uma reforma constitucional destinada a extinguir direitos trabalhistas; os exemplos dados pelo candidato foram outros. Ao mesmo tempo, é razoável considerar relevante o fato de que uma candidatura que propõe mudanças institucionais importantes também apresenta uma agenda de maior flexibilização das relações de trabalho.
A Constituição de 1988 não é imutável e já foi alterada dezenas de vezes. Uma democracia precisa ser capaz de reformar suas instituições. A questão nunca deveria ser simplesmente “mudar ou não mudar”, mas mudar o quê, em que direção e com quais consequências. Essa cautela vale para qualquer governo. Se Lula propõe alterar a Constituição para reduzir a jornada de trabalho, sua proposta também precisa ser discutida quanto a custos, efeitos econômicos e capacidade de adaptação das empresas. Se Flávio pretende alterar dispositivos institucionais, fiscais ou penais, o mesmo escrutínio deve existir. Constituição não deve ser um objeto sagrado, mas tampouco pode ser tratada como obstáculo burocrático facilmente descartável quando uma maioria eleitoral circunstancial considera determinadas proteções inconvenientes.
Minha preocupação trabalhista aparece justamente porque direitos constitucionais têm uma função especial: criar garantias que não dependem integralmente da relação de forças de cada momento. O trabalhador não precisa renegociar todos os meses o direito a férias ou o adicional de hora extra; esses pisos existem previamente. Podemos discutir se determinadas regras envelheceram, se precisam ser modernizadas ou se novas formas de trabalho exigem outra legislação. O que considero perigoso é transformar “modernização” automaticamente em sinônimo de transferir para o indivíduo uma negociação em que, frequentemente, ele continua sendo a parte que mais necessita do acordo.
Preferir Lula não significa ignorar os problemas de Lula
Uma escolha crítica só faz sentido se for capaz de enxergar também as contradições da alternativa escolhida. O programa de Lula pode falar em neoindustrialização, investimento e fortalecimento do Estado, mas nenhuma dessas palavras garante automaticamente que haverá desenvolvimento. Políticas industriais podem ser mal desenhadas, recursos públicos podem ser mal utilizados e programas de investimento podem atrasar. O próprio Estado brasileiro possui problemas de eficiência, burocracia e capacidade de execução que não desaparecem porque reconhecemos sua importância. Também existe um debate legítimo sobre sustentabilidade fiscal: um projeto desenvolvimentista que ignore completamente contas públicas pode terminar produzindo instabilidade econômica que atinge justamente os trabalhadores que pretende proteger.
Da mesma maneira, defender maior proteção ao trabalho não resolve todos os problemas do mercado de trabalho brasileiro. Uma regra pode proteger quem já possui emprego formal e, se mal formulada, dificultar a entrada de quem permanece na informalidade. A redução da jornada para 40 horas, por exemplo, precisa ser acompanhada de debate sobre produtividade, impactos setoriais, pequenas empresas e períodos de adaptação. Apoiar uma direção geral de política não significa considerar irrelevantes seus custos ou dificuldades.
É precisamente por reconhecer essas limitações que não considero meu posicionamento lulista. O lulismo é uma identidade política e histórica muito mais ampla do que uma decisão eleitoral específica. Minha escolha não depende da ideia de que Lula seja indispensável ao Brasil, de que o PT detenha exclusividade sobre a esquerda ou de que toda crítica ao governo beneficie seus adversários. Pelo contrário: se Lula vencer, continuará sendo necessário cobrar resultados, criticar erros e pressionar por políticas mais ambiciosas exatamente nos pontos em que seu projeto ainda considero insuficiente.
Meu voto, portanto, não é uma declaração de fidelidade.
É uma comparação.
Lula pode virar a eleição?
Existe também a questão eleitoral concreta. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou na frente com 56.104.268 votos, equivalentes a 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 53.876.617, ou 45,16%. A diferença foi de aproximadamente 2,23 milhões de votos, em uma eleição que também registrou mais de 2,3 milhões de votos brancos e 3,67 milhões de votos nulos.
Os primeiros levantamentos do segundo turno mostraram vantagem numérica de Flávio. O Datafolha realizado em 6 e 7 de outubro registrou 52% dos votos válidos para Flávio e 48% para Lula, com margem de erro de dois pontos percentuais; o Ipespe divulgado em 10 de outubro apontou 52,7% a 47,3%. Esses números descrevem a situação medida naquele momento e mostram que Lula iniciou esta etapa atrás, mas pesquisa eleitoral não é resultado eleitoral e não permite afirmar antecipadamente quem vencerá em 25 de outubro.
A possibilidade de mudança existe porque segundo turno não é simplesmente a repetição matemática do primeiro. Eleitores que escolheram outros candidatos precisam decidir se migram para uma das duas opções, anulam o voto ou não comparecem; pessoas que se abstiveram podem voltar às urnas; e uma parcela pequena dos eleitores dos próprios finalistas pode mudar de posição. Em uma disputa medida na casa de poucos pontos percentuais, essas movimentações agregadas podem alterar o resultado. Isso não significa prever uma virada de Lula, assim como a vantagem atual de Flávio nas pesquisas não permite tratar o resultado como decidido.
Mais importante do que tentar adivinhar o dia 25 é compreender o desafio político revelado pelos números. Lula não entra no segundo turno como candidato naturalmente majoritário apenas por ocupar a Presidência ou por possuir forte apoio entre os mais pobres. Existe uma parcela grande do país descontente com seu governo ou identificada com a direita, e ignorar isso seria repetir exatamente o erro que discutimos anteriormente neste blog: tratar o eleitor que pensa diferente como alguém incapaz de compreender seus próprios interesses. Se um projeto deseja conquistar maioria democrática, precisa convencer pessoas que hoje não concordam com ele. Não existe atalho moral para isso.
Talvez a eleição seja maior do que Lula
É aqui que minha posição se distancia ainda mais do lulismo. Para mim, esta eleição não deveria ser reduzida à preservação da carreira política de Lula, muito menos à sobrevivência do PT. Partidos passam, lideranças envelhecem e nenhum indivíduo deveria tornar-se maior do que o projeto político que afirma representar. O debate relevante é sobre aquilo que permanecerá depois de Lula e depois de Flávio: que legislação trabalhista teremos, que capacidade de investimento público existirá, qual será a política industrial brasileira, quanto investiremos em universidades e pesquisa, como será organizada a relação entre Estado e empresas e quais proteções consideraremos fundamentais para impedir que desigualdade econômica se converta automaticamente em desigualdade de poder.
Essa distinção me parece importante porque permite apoiar determinadas escolhas sem transformar política em torcida. Posso desejar uma vitória de Lula neste segundo turno e, simultaneamente, desejar que a esquerda brasileira consiga produzir novas lideranças, novos projetos e uma identidade que não dependa permanentemente dele. Posso considerar seu programa mais próximo do meu ideal nesta eleição e ainda acreditar que esse programa deveria ser mais desenvolvimentista, mais comprometido com ciência e tecnologia, mais ousado em infraestrutura e mais capaz de construir uma estratégia econômica de longo prazo.
Talvez seja esse o sentido de um voto verdadeiramente crítico: escolher sem se entregar.
FONTES
Tribunal Superior Eleitoral — resultado do primeiro turno de 2026. O TSE registrou Flávio Bolsonaro com 47,03% dos votos válidos e Lula com 45,16%. Consultar o resultado no TSE
Tribunal Superior Eleitoral — propostas de Lula por assunto. A página reúne os temas do programa registrado, incluindo Nova Indústria Brasil, Novo PAC, ciência e tecnologia, valorização do salário mínimo e redução da jornada para 40 horas. Consultar as propostas de Lula no TSE
Tribunal Superior Eleitoral — propostas de Flávio Bolsonaro por assunto. A página reúne as propostas registradas sobre redução do custo do trabalho, negociado sobre o legislado, redução de impostos, desestatização e reforma administrativa, além das demais áreas do programa. Consultar as propostas de Flávio Bolsonaro no TSE
Plano de Governo de Flávio Bolsonaro — trabalho. O documento oficial da campanha afirma que pretende reduzir custos sem retirar direitos e defende maior liberdade na negociação das condições de trabalho. Consultar o plano de governo
Site oficial de Lula — fim da escala 6×1. Apresenta a defesa da redução gradual da jornada para 40 horas semanais, com preservação salarial. Consultar a proposta
CNN Brasil — declaração de Flávio Bolsonaro sobre mudanças constitucionais. Registro da fala de 6 de outubro sobre utilizar a nova composição do Congresso para promover mudanças na Constituição. Ler a reportagem da CNN Brasil
Folha de S.Paulo — esclarecimentos posteriores de Flávio sobre mudanças constitucionais. O candidato citou reformas penal, política, tributária e do Judiciário e o fim da reeleição entre os exemplos de mudanças pretendidas. Ler a reportagem
Datafolha — primeiro levantamento do segundo turno. Pesquisa realizada em 6 e 7 de outubro apontou 52% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 48% para Lula, com margem de erro de dois pontos percentuais. Consultar o levantamento
Ipespe/Abrapel — pesquisa de 10 de outubro. O levantamento registrou 52,7% dos votos válidos para Flávio Bolsonaro e 47,3% para Lula. Consultar a pesquisa



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